Conheça os alunos da rede pública de Cachoeira Paulista que conquistaram a melhor premiação do Desafio da Unicamp

Amanda Lamins, Luis Guilherme, João Pedro Barbosa, Patrick Victor, Luiz Alberto, Matheus Rivero, Jesse Barreira e Marcos Paulo Duarte são alunos do 1°, 2° e 3° ano do ensino médio da escola Estadual Severino Moreira Barbosa, em Cachoeira Paulista. Esse grupo de jovens empenhados, se denominaram I9 e conquistaram o melhor prêmio do 10° Grande Desafio – 2019, desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A proposta era de uma maneira inovadora para filtração d’água suja transformando-a em limpa, em 4 meses de pesquisa e experimentos, os alunos descobriram na fibra da casca da banana uma maneira inovadora de obter essa limpeza de forma natural, eliminando os metais pesados com ions positivos por meio dos ions negativos presentes na fibra da banana. Os alunos explicaram que, como o filtro é dividido em dois processos, a atração dos ions negativos e positivos faz com que os metais (a sujeira da água) fique no primeiro processo de filtração.

Os alunos contam que chegar até essa descoberta gerou tentativas que não foram bem sucedidas, como por exemplo a utilização de carvão aditivado, o que deixaria a água turva. “Após recolher uma quantia considerável de casca de banana, você deve coloca-las no sol por cerca de três a quatro dias (uma observação é que se você colocar sal grosso enquanto elas secam, acelera o processo, porque o sal grosso ajuda a desidratar a casca de banana), assim que tiver seca, é necessário coloca-las num forno com cerca de 60° por, no mínimo 40 min. Após assadas, elas são batidas e trituradas para virar o pó, e isso é a fibra de banana”, explica João Pedro Barbosa, de apenas 15 anos.

O coordenador e professor, José Ricardo Lopes, selecionou essa equipe a dedo, conforme observação de habilidades individuais, “é a primeira vez deles participando e já trouxeram a premiação, a base do projeto deles foi a acessibilidade, sustentabilidade, baixo custo, acho que uma das coisas que fez com que eles se destacassem foi isso, um projeto dentro daquilo que é aplicável e real”, esclarece o coordenador e mentor da equipe.

A aluna de 16 anos conta que foi a primeira vez que participou de uma projeto desse tamanho e que nem mesmo ela sabia do tamanho de seu potencial, foi o coordenador José Ricardo que, após observar em sala de aula que Amanda tem um grande desempenho em química, a convidou para fazer parte do projeto. “A equipe em si se complementa, porque enquanto um tem facilidade para construir, o outro tem mais habilidade de química, biologia, a gente se ajuda, cada um tem o seu talento”, completa Amanda Lamins, a única menina do grupo.

Para todos, o projeto gerou frutos como, cooperação, trabalho em equipe e autoconfiança. Para o coordenador José Ricardo, a capacidade de adaptação e resiliência fez com que toda essa experiência fosse ainda mais recompensatória. Ao se pensar nesses alunos no mercado de trabalho a expectativa só aumenta, “o jovem proativo, autônomo e com potencial é o que chama a atenção hoje num mercado de trabalho imediatista, uma coisa que foi incentivada neles é aprender a buscar a solução, não esperar que ela venha pronta, que é o que o mercado espera hoje em dia, um profissional proativo”, afirma.

Os alunos do grupo I9 contam que conquistar a premiação foi um trabalho de muito estudo e dedicação de todos, “teve noites que íamos sair da escola já era nove horas”. Os alunos também foram atrás de patrocínios e um modo de locomoção para chegarem até Campinas, local onde aconteceu o desafio. A prefeitura municipal se mostrou participativa e cedeu a condução para que eles fossem. Na hora da premiação, os alunos contam que nem mesmo acreditaram, pois como era o prêmio mais esperado do desafio, era o último a ser revelado, “eu já tinha até sentado, foi quando chamaram anunciando que tínhamos ganhado, nós fomos emocionados buscar o prêmio “, conta Luis Guilherme, de 16 anos.

Além de trazerem o prêmio para a escola, esse grupo trouxe dentro de cada um a sensação de realização e vontade para sempre buscarem e darem o melhor em seus objetivos. Mesmo jovens, eles entenderam que o projeto em si os ensinaram a importância do trabalho em equipe, da cooperação, união e a quebra daquela voz interior que dizia que eles não conseguiriam.